Quando cantava, a bocca sympathica, fresca, sorria sempre, alegrando-se aos cantos com duas pregas infantis.
Do logar onde estava, o corcunda via-lhe o perfil sereno, a longa trança doirada e todo o vulto branco salientando-se na massa escura dos espectadores agglomerados nos degraus em amphitheatro do outro lado da sala.{124}
Quando ella acabou de cantar, toda a platéa applaudia, delirante.
O corcunda bem queria dizer—bravo! mas sumira-se-lhe a voz.
Mademoiselle d'Avenay cantou tres vezes n'aquella noite e o delirio crescendo sempre!
Agradecia muito reconhecida, pondo a mão no peito, fazendo ranger a seda do vestido.
Já os musicos se tinham retirado, já o illuminador começava fechando as torneiras do gaz e ainda novas ovações eccoavam na sala.
Ella tornava a subir ao palco, agradecendo, muito amavel, sorrindo como no retrato, para o ar, para coisa nenhuma.
E por onde passava deixava no rasto um cheiro forte, bom, que embriagava o corcunda.
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