D. MENDO
Loucuras, sonhos de uma cabeça cheia de illusões!
D. VIOLANTE
Leu nos astros o futuro dos nossos amores? Que lhe disseram os astros?
D. MENDO
O que nos importa a nós isso tudo? (Levando-a para um assento de pedra) Vinde assentar-vos aqui; e eu vou pôr-me de joelhos, para vos adorar como a um anjo, como a uma santa que sois... Amo... amo-te... ía dizer uma blasfemia, Violante, ía fallar-te como só a Deus se deve fallar; mas é porque no mundo não ha com que se compare este amor!
D. VIOLANTE
(Brincando, mas com muita ternura.) Mas se esse amor mudar?... O coração dos pagens é como as borboletas, foge sempre de flôr em flôr.
D. MENDO
Mas este meu!... Que thesouro possue elle agora! Vós bem sabeis que este meu amor não mudará... não póde mudar.—E depois tudo em roda de nós está alegre, tudo parece fallar-nos de felicidade.