Tu?
FR. BERMUDO
Eu?!... Não.—Sou monge, não posso ter amor. Um voto matou-me o coração.
D. MENDO
Desgraçado!...
FR. BERMUDO
Que importa o que passou... o que morreu! Todos julgaram que eu havia morrido... E ha dez annos que enterrado n'um mosteiro estudo a alchimia; tenho descoberto segredos, que poderiam fazer os homens felizes, segredos que poderiam talvez tornar o mundo todo um paraizo. A natureza é omnipotente em crear, omnipotente em destruir: ao lado de cada força que géra ha uma força que mata... São tudo combates. O homem, grão de pó no universo, segue a lei geral. A vida é um combate entre o sêr, e o não sêr. O pensamento é uma lucta entre o bem e o mal. (Pausa.) Aqui tens, Mendo, uma essencia subtil. Esta essencia é a vida para ti se fores ferido na lide.
D. MENDO
(Repellindo o frasco.) Padre, tu fizeste-me perder o animo: mataste-me as esperanças. Tenho agora medo de tudo, menos da morte: tudo para mim é fatal. Essa peleja perder-se-ha. A vida servir-me-ha só para ser escravo, e penar. (Ouvem-se gritos do exercito ao longe.)