Nenhum de nós tem já direito de amar, porque para ti, e para mim este amor é um crime. (Pausa.) Este meu não, que me salvou a alma... que eu sentia perder pelo descrer. Quando ao atravessar o deserto, para ir ao Santo Sepulchro do Redemptor, cahi sobre as areias ardentes, quasi morto pela sede... um anjo me appareceu e me salvou... Em Violante, encontrei depois a imagem do meu Anjo Redemptor: é a mesma fronte pallida do anjo é o mesmo sorriso meigo e triste, o mesmo olhar celeste e candido... a mesma voz... Oh! mas a alma dessa mulher é mais pura do que os espiritos do ceu Amei-a! Amei Violante.

D. MENDO

(Chorando.) Meu Deus, tende piedade de mim! acabae com esta dôr!... matae-me!

FR. BERMUDO

Quando a voz da fatalidade, troando nos espaços, pronuncia a sentença, que nos condemna, devemos escutal-a, e ter resignação.

UM MONGE

(Apparecendo á porta da esquerda.) Fr. Bermudo, está á porta do mosteiro uma penitente, que vos deseja fallar.

FR. BERMUDO

Conduzi-a aqui, irmão. (O monge sae.) Mendo, vae orar por nós ao Senhor.

D. MENDO