D. MENDO
É manha já, e Fr. Bermudo sem voltar! Sem me trazer uma palavra della para me dar força! Elle que me prometteu voltar cedo, logo que lhe fallasse! Ama-a, Fr. Bermudo tambem a ama! Quem sabe se nesta hora mesmo de suprema dor, elle ainda tem ciume dos seus prantos, e m'os quer roubar?!—O sangue delle é o meu sangue; é o irmão de meu pae; não póde ser traidor.—Para que quero eu mais ouvir fallar della? Que pode agora haver de commum entre nós ambos? A dor, a dor que é o mais intimo laço que póde existir entre dois corações que se amam. Fr. Bermudo não chega, meu Deus; e nem uma palavra consoladora de Violante me vem dar alento nesta tristeza, nesta solidão do espirito. Fr. Bermudo!... Violante... oh! estes dois nomes encontram-se ás vezes nesta lide maldita do meu pensamento, e esse encontro faz-me gelar toda a fé, mata-me toda a força... Se em mim ha força ainda: que não ha... não ha de certo. Eu já não vivo, que me senti morrer corpo e alma, quando de todo me vi separado della. Até aquella agitação convulsiva da desesperação acabou em mim... Já não tenho odio... e nem sei mesmo se ainda tenho amor! (Pausa.) Morri de todo e para sempre.
SCENA III
D. Mendo, e fr. Bermudo
FR. BERMUDO
Não percas assim o animo, Mendo.
D. MENDO
Bermudo!... E ella?!
FR. BERMUDO
Sempre a mesma.