Pois eu não sou?... Não fui sempre?..
LUIZ
Um armazem de pancadas, quando eras mais novo. Todos te davam; e tu não fizeste nunca senão levar e calar.
JOZE
Hum! Bem vês que eu era... que tinha bom coração, e não queria fazer mal ao proximo. E a prova é, que já me esqueci de tudo que os rapazes aqui da freguezia me fizeram, e que tenho mandado um pár delles para Demerara... a buscar fortuna. Pagar o mál com o bem, é de um homem como se quer. Tu mesmo, Luiz, agora me lembro, tu mesmo deitaste-me um dia na Ribeira Brava, dentro d'agua; porque eu te tinha tirado um pedaço de ynhame cozido... e eu tinha fome. Agora vou-te fazer rico, para teres fato fino, como este meu, relogio, cordão de oiro, e muito dinheiro... para te tinirem as algibeiras, como a mim. Hem!
LUIZ
Serás, serás bom rapaz, agora, mas animoso... Deixemos isso, e vamos ao que importa. Joze, eu vou para Demerara; foste quem me resolveu a ir. Minha mãe, pobre velhinha, cá fica sem ter mais ninguem senão minha irmã que é pobre, e pouco lhe pode valer. Acode-lhe tu, Joze. Que minha mãe ao menos tenha um pedaço de pão para matar a fome.
JOZE
Conta comigo.