Isso são maus sentimentos, que o meu Luiz não tem. Se lhe custa o ser pobre é por me não poder fazer feliz a mim, e a todos os seus. O meu Luiz é bom, foi sempre bom desde creança. Esses sentimentos de que falla, Joze, só os pode ter um mau homem, um homem sem honra e sem vergonha.

JOZE

É... será verdade. Um homem sem vergonha... Eu cá sim, eu nunca tive sentimentos taes... porque sou...

MARIA

Joze, Joze, sempre teve—desde pequeno que o conheço—propensão para o mal. Preguiçoso, e mau, foi-o sempre. Nunca pensei que pelo trabalho honrado se fizesse rico; mas em fim assim aconteceu, e como aconteceu, Deus o sabe. Sou velha, e hei de diser a verdade. Anda sempre desde que veio de Demerara, a metter na cabeça a todos os rapazes, e ás raparigas até, que emigrem da Madeira: e quando desapparecem seis ou sete apparece o sr. Joze a comprar uma casa ou uma fazenda, ou com mais um cordão de oiro ao pescoço. Murmura-se por ahi de tudo isto...

JOZE

Invejosos!

MARIA

Pode ser, talvez. Mas se o meu Luiz se for, é a você que eu ponho as culpas.

JOZE