ANTONIO
Coitado do Luiz! Tens rasão, filho, tens. Eu é que, por ter esta fazenda de meu—porque esta é minha, de véras; terra e bemfeitorias—por ter esta fazenda, e uma filha que é a alegria e a benção desta casa, pensei que todo o mundo era feliz. Deus me não castigue, Deus não faça cair sobre Joanninha o castigo desta minha cegueira.
LUIZ
Deus a ampare, á nossa Joanninha.
ANTONIO
Bem o merece. Boa, e bem creada. Pode ser mulher ahi de qualquer morgado, a minha filha, não lhe falta nada. Sabe ler, escrever, e até bordar. Heide cazal-a com um homem que tenha de seu, para que ella não saiba nunca o que é pobreza.
LUIZ
(Com dor.) Faz... faz bem, sr. Antonio Prudente. Sua filha deve... ser feliz com um homem que tenha de seu, que a traga como as meninas lá da cidade... que a faça feliz. Mas... mas ainda não está escolhido noivo para Joanninha? Vocemece ainda se não decidiu a cazal-a? É cedo... Joanninha é muito moça.
ANTONIO
Tem 17 annos feitos. Mas pensar no casamento ainda não pensei. Custa-me a separar della.