JOANNINHA
Pae, escute o sr. Vigario.
ANTONIO
(Commovido.) Não me faça a offensa, sr. Vigario, de me tirar a sua amizade. Era um desdoiro para a minha vida, uma dôr d'alma, e uma deshonra para estes cabellos brancos. Pelo amor de Deos, perdoe-me!
VIGARIO
Não quero senão o seu bem; e peza-me que me não escute.
ANTONIO
Se permitte, não me dou ainda por desligado. Vou ter com o Joze Velhaco, e se não se justificar, se não provar que está innocente, ficará o dito por não dito, e não torna a entrar n'esta casa. Mas antes de o condemnar é preciso ouvil-o.
VIGARIO
Mas tambem se devem escutar as queixas, e os prantos de uma filha, antes de a condemnar por toda a vida. Emfim, Antonio, confio tudo da sua probidade, e do muito amor que tem á nossa Joanninha. (Com brandura.) Bem sabe que a vi crescer, que lhe ensinei a ler e a escrever, que lhe dei uma educação como no Funchal não se dá ás filhas dos morgados; custava-me vel-a casada com um homem, incapaz de a fazer feliz.