Não ha differença essencial entre a palavra e o canto; e com razão chamaram vogaes (ou vocaes) as letras que representam os principaes elementos da palavra.

Mas, por isso, chamar consoantes a todas as outras, envolve impropriedade. Todos os sons soam; dizer que as vozes soam, não é bastante: as vozes cantam. E alem de impropriedade, é uma syntese exagerada.

Porque na palavra ha vozes, ha tons, ha sons e ha simples modificações sem tom nem som, que se percebem na palavra como se percebe na nota da rabeca a unha ou o arco. Nem a unha nem as sedas do arco são elementos fonicos: fazem soar de certo modo, sem que por si soem. Ora a estes quatro elementos da palavra, que formam como uma escala:

VIII Cantantes ou vocaes;

VIII Toantes (rr... j... z... v...);

VIII Soantes (x... c... f...);

IIIV Mudos (bqd, gl, lh, etc.):

correspondem naturalmente quatro especies de letras susceptiveis das mesmas denominações segundo os seus valores.

Assim pois ha letras soantes e mudas, toantes e mudas; etc. X é toante (z...), soante (ç..., x...) e simultaneamente muda e soante (qç...).

Estas denominações e classificações tem utilidade, porque envolvem anályse, dão um conhecimento mais perfeito da palavra e da escrita, e proporcionam em muitos casos á doutrina do mestre uma precisão e clareza, que a distincção geral de vogaes e consoantes mal pode permittir.