Uma distancia insignificante separa-o já do vulto que tão lugubremente o attrae. E o desgraçado reconhece logo o cadaver do filho.

Mais alguns passos vacillantes e Antonio cae a soluçar sobre o corpo da creança afogada. E o seu pranto, as lamentações que profere, têm menos a expressão de um desespero, do que da confissão da propria impotencia, na lucta inutil de represalias que havia travado com o oceano.

UM EXGOTTADO

UM EXGOTTADO

O pobre Heitor foi levado á sepultura n'uma triste e chuvosa manhã de abril. Como não tivesse bens que deixassem aberta a possibilidade de um galanteio posthumo, nas folhas d'um testamento, acompanhou-o até Santa Isabel apenas o bom compadre Fernandes, o inestimavel enfermeiro nos poucos e longos dias de soffrimento.

O largo circulo de seus amigos eximiu-se do incommodo da viagem a bond, desculpando-se com o mau tempo, quando, mais tarde, um ou outro defrontava com o paciente Fernandes.

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Não obstante, aquelle infeliz fôra, na vida, um moirejador notavel. Toda a cidade conhecia-lhe o nome. Fizera-o á custa de muitos annos de improbo trabalho, n'uma repartição movimentada e importante. Quando fechava o serviço official, não era para casa que ia o Heitor: tomava o caminho do diario onde collaborava e que lhe devia grande parte de seus melhores exitos.