—Ora passe p'ra 'qui, seu fradalhão! gritou-lhe o Borba, mal o avistou entre dois cabanos, ameaçadoramente armados de clavinotes. E logo ordenou que fôssem buscar tambem a Mariasinha, filha do pescador Sabá.
Quatro grandes fogueiras, accêsas por ordem do chefe, illuminavam o recinto. Ninguem mais ousara fugir; o povo agrupava-se pelo adro e pela praça, em recolhida attitude, quasi sem movimentos, temeroso da morte. Eram tão maus os cabanos! Havia pelos grupos feminis silenciosos soluços. Lancinante quadro, em verdade e por elle é que o ancião chorava também perdidamente.
—Faça-me soffrer, exclamou, porém não persiga esta boa gente!
—Cale a bôcca, idiota! respondeu-lhe o Borba, n'um meio sorriso que a todos apavorou mais do que a maior das ameaças.
Entretanto, acercava-se um troço de rebeldes, trazendo comsigo Maria, discipula de Constancio. Que vinha por seus pés quasi não se poderia affirmar, pois era ao collo que o mais espadaúdo caboclo a conduzia, semi-morta de mêdo.
Borba tomou petulante attitude, cofiando as raras répas do bigode falho, sempre a sorrir. Ordenou:
—Padre Constancio, passe á frente!
Arriscou o sacerdote algumas pernadas trôpegas.
—Aqui, ao lado da Mariasinha, tornou a dizer o chefe.
Constancio approximou-se.