Sentado á prôa, fumando n'um cachimbo de longo taquary, o caboclo fitava com o olhar indolente os altos e esguios assahyseiros e as longas folhas das bananeiras d'um verde-claro alegre, beijados pelos ultimos raios do sol, que escondia-se por traz da ilha das Onças.
Na pôpa, debaixo d'uma tolda de palha d'ubim, estava o senhor moço, abanando-se[{62}] com uma ventarola de pennas vermelhas, ao lado da senhora moça, que espreitava para fóra, por um dos pequenos postigos lateraes. A seus pés, dormitava o cão Mururé, com um pedaço de lingua escarlate caída para o lado esquerdo, entre os dentes meio visiveis.
O cheiro acre da marezia saturava a tolda. Periquitos gritavam nos mattagaes da ilha proxima; cantos sonoros de passaros chegavam até á embarcação, n'uma suavidade docemente melancholica, que fazia sorrir de alegre ternura os dois viajantes.
—Que bonita paizagem, Antonio!
—É certo! Razão tinha eu dizendo-te que gostarias immenso da viagem.
—Quando chegamos ao sitio?
—Ás 9 horas, isto é, d'aqui a tres ou quatro.
—É pena chegarmos tão cedo!
—Dizes bem: vamos tão contentes....
E beijaram-se n'um impeto de prazer extraordinario.