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Ha seis annos passou o horrendo transe que prostrou-me louco sobre os despojos funebres da mais santa e querida das Mães.
Dura sempre a dôr d'um filho amantíssimo? Creio bem que sim. Investigando a incalculavel profundez dos meus pezares, cotejando as impressões de hoje com as do anno passado, com as do outro anno, do outro e do dia em que estalou sobre mim a[{86}] grande fatalidade, verifico a persistencia da mesma dôr molesta, intima, enorme, saudosamente triste, que levanta-me no espirito uma raiva contra a gloriosa expansão d'esta manhã rutilante e contra o gorgeio sonoro das aves, que estão, agora mesmo, a lembrar-me os doces cantos simples da infancia, quando, todo prazer e venturas, meu coração acolhia-se no tépido sacrario de affectos e caricias que era para mim o colo amigo e protector da mais amoravel de todas as mães!
Onde estão os meus deliciosos sorrisos infantis de outr'ora?...
Rio Madeira, 21 de abril.[{87}]