—Historias de bôto, do curupira, da mãe d'agua,—explicou o subdelegado.
—Han!—rosnou o cabôclo. Tudo isso é mentira, acredite!
—Como! Pois o senhor atreve-se a negar o que todos[{135}] no sertão asseguram ser verdade evidentíssima?
Sorriu o velho, superiormente. Tinha no rosto uma profunda piedade, pela bôa fé do cidadão. Ergueu-se, afivelou o cós da calça e, espreitando para o lado do quarto da mulher, congregou os companheiros em circulo diminuto. Estava transfigurado: era um philosopho stoico.
—Vocês ouviram já falar em yaras, não?—perguntou. Pois é tudo mentira também.
E abaixando a voz:
—Só ha uma especie de yaras,—proseguiu. Essas, porém, não vivem no fundo dos rios da minha terra, estão, ahi, na cidade; vi hoje á tarde uma porção, quando fui com seu Esteves tomar o vapor. São as mulatinhas cheirosas a periperioca e jasmins, sabem? as verdadeiras yaras encantadas. Mas precisamente[{136}] não é para o abysmo das aguas que arrastam a gente!...
—Seu Barriga, venha dormir!—gritou no outro extremo do copiar a encanecida e rotunda esposa do velho cabôclo do Xingú.[{137}]