Desprezada a esposa, Affonso III, em 1253, contrahiu segundas nupcias com D. Beatriz de Gusmão, filha bastarda d’Affonso X, de Castella, e de D. Maria Guillen de Gusmão.

Embora fosse o primeiro coito damnado que se sentou no throno, D. Brites foi um anjo de paz como a sua successora, Santa Izabel. Ella serviu de medianeira quando a guerra rebentou entre Castella e Portugal, e mais tarde Affonso X, desthronado pelo herdeiro ambicioso, encontrou na filha um thesouro de virtudes, unico lenitivo no meio da desgraça.

O marido, que a idolatrava, fez-lhe doação d’Alemquer, em 1267.[11] A estima de Affonso III demonstra a importancia que a villa então possuia, pois é licito acreditar que a generosidade do rei condissesse com o amor consagrado á esposa. Dezesete annos estivera Alemquer annexa á corôa, encontrando na mercê do monarcha uma donataria virtuosa, digna herdeira de D. Dulce e de suas filhas, D. Sancha e D. Thereza. Mas para a terra em si, embora as suas virtudes lhe servissem d’ornamento, materialmente nada lucraria, se a rainha só cuidasse de receber as rendas, deixando no olvido os beneficios com que a poderia dotar. Não foi assim; D. Brites alcançára do esposo (28 de junho de 1277)[12] o padroado das egrejas e capellas do seu senhorio, e, conscia do cumprimento dos deveres, deu principio á construcção da egreja de S. Francisco, onde outr’ora foram os paços reaes, em que Santa Sancha recebeu os cinco martyres de Marrocos.

Acanhado e pequeno o primitivo templo, começou-se a obra da nova egreja, em 1280. Não a poude vêr concluida a rainha, que falleceu em 7 d’agosto de 1300, e a egreja só foi sagrada cinco annos depois. No emtanto, seu filho, el-rei D. Diniz, continuou, dignamente, o empenho da mãe, como o attesta a seguinte inscripção:

Esta igreja fundou
A muy nobre rai(nh)a Dona
Beatr(ix) e acabou a o muy jostiçoso
seu filho nobre
Rey de Port(ugal) comprido de vertude
Do(m) Denis
[13]


Santa Izabel

Tres annos após o fallecimento de Affonso III (16 de fevereiro de 1279), seu filho, o rei D. Diniz, tomou por esposa a D. Izabel de Aragão, filha de D. Pedro, o grande, e de D. Constança de Napoles. O consorcio realisou-se em 24 de julho de 1282, nascendo, passados oito annos, a infanta D. Constança, desposada de Fernando IV, rei de Castella, e logo depois (8 de fevereiro de 1291) viu a luz o herdeiro, Affonso IV, cuja ambição tanto alanceou a rainha sua mãe.