A compra do oiro tem ahi ás vezes logar por um modo curioso. Todos os pretos dos mususuros desejam comer carne de vacca, mas nem se sabem agremiar para a distribuição nem desejam matar os seus bois para os comerem em familia.

Os pretos mercadores, mesmo pretos do Rupire, que ali vão comprar oiro, começam por comprar um boi por um algodão pegado de 6 libras, que custa em Quelimane 1$600 réis, e depois vendem a retalho a carne em troca de oiro.

A indole do povo parece ser boa; a todos os pretos que ahi chegam como compradores tratam como se fossem mosungos. O paiz tem, ou ao paiz vem ainda muito marfim. Builha, a terra do mambo Motoco, não é ainda considerada como mususuros, mas parece que o são já as terras que ao S. e SO. com ella confinam.

Pelo leste confina Builha com Manica, havendo porém bastante distancia entre as povoações mais proximas das duas terras por haver n'esta direcção uma larga faxa não habitada. Da povoação do Motoco á do Mutaça, rei de Manica, são quatro dias de caminho; á do Macone, mambo que fica a O. de Manica, são tres dias. Manguende é o nome de um mambo dos mususuros, que fica a dois dias da povoação de Motoco e que tem muito marfim.

A terra dos mususuros, considerada pelos pretos mais rica em oiro, é Goa, que tem por mambo a Mussanae; fica a tres dias de caminho da povoação de Motoco, atravessando-se pela terra Zumba do mambo Gaha, pela do Sotoco do mambo Chunni, e pela de Chiguagua, que tem o mambo com o mesmo nome. Chiguagua é terra considerada tambem como tendo muito oiro. Outra terra ainda citada como muito aurifera é a do mambo Massumbura, que ainda fica dois dias adiante de Goa.{25}

Todas estas terras parece que se acham na bacia hydrographica do Mazoe.

A priori parece que a melhor situação para fundar a estação civilisadora e commercial de mususuros seria pela latitude 18° junto ás cabeceiras do Mazoe e do Save. Esta estação ficaria quasi na latitude de Gouveia e poderia communicar directamente com a capital do districto, se se encontrasse bom caminho atrás do paiz montanhoso que ha a atravessar; achar-se-ia talvez a dois dias de caminho de Macequece e d'ahi poderia seguir pelo bom caminho que já sabemos haver para o Pungue, ou ainda poderia vir a communicar directamente com o porto de Bangue e povoações intermedias que venham a fundar-se, procurando logo a direcção do valle do Pungue, deixando Gouveia ao N. e Macequece ao S.

Este paiz elevado onde nascem o Save e o Mazoe e outros afluentes do Zambeze, cuja occupação é da maior importancia politica, parece ser o mais adaptado para a colonisação europea na Africa austral. A pagina 285 dos Proceedings of the Royal Geographical Society, de maio 1884, vê-se que a respeito d'esta região mr. Selous, o celebre explorador e caçador africano, que tão bem conhece o Transvaal, diz: «As melhores partes do Transvaal não lhe podem ser comparadas».


III