Figura 163: Duas ogivas encaixilhadas em um arco

Ainda edificaram igrejas no estylo roman em certas localidades, quando a architectura ogival dominava em outras. Comtudo, em algumas provincias do meio-dia, conservaram o estylo de transição durante o seculo XIII. As causas que determinaram a creação do estylo ogival são complexas. O arco de tres centros teve a sua origem em a necessidade de tornar mais solidas as novas fórmas de construcção.

Já vimos como as abobadas se aperfeiçoaram pelo uso do encruzamento dos arcos. Encontraram logo em seguida ao emprego do arco descripto por dois centros, novo meio de diminuir o esforço das abobadas, e fazer convergir todo o peso d'ellas sobre os pontos em que havia os contrafortes. D'esta innovação derivou um sem numero de outras innovações, que produziram o estylo ogival tal como se observa nas construcções do XIII seculo.

ARCHITECTURA RELIGIOSA

Forma das igrejas

Fizeram-se algumas modificações no plano das igrejas edificadas no XIII seculo; taes como o côro, mais comprido que fôra antes; as naves lateraes, que se prolongavam em roda do santuario (capella-mór), ficaram depois aformoseadas com outras capellas, excepto quando as igrejas terminavam na curva da abside; e n'esse caso as naves limitavam-se aos dois lados do santuario.

Em algumas das cathedraes de maior grandeza, as naves lateraes corriam em fórma de galeria, em logar de uma em roda do côro, como teve a Sé de Lisboa. Muitas vezes davam á capella central atrás do côro, maior extensão que ás outras que circundavam a nave, e a qual era consagrada a Nossa Senhora; todavia foi no seculo XIV que mais se generalisou esta disposição.

Não se collocavam ainda no seculo XIII capellas nas naves lateraes, e se algumas cathedraes d'essa época apparecem com esta disposição, foram construidas nos seculos seguintes (XIV e XV).

Figura 164: Plano do côro da cathedral de Reims