Figura 184

Os tumulos, mettidos nas paredes, como se vê na gravura junta, chamavam-se tumulos arqueados. A estatua do finado estava representada debaixo d'estas arcadas.[[49]]

As campas são grandes lageas, as quaes serviam de piso nas igrejas, e apresentavam a effigie do finado aberta a traço; eram estes os tumulos mais communs. Tem-se destruido constantemente um sem numero, para lhe substituirem lageas lisas sem significação nem caracter funereo. Deviam, pelo contrario, conserval-as cuidadosamente, porque pelos seus epitaphios ou inscripções, as campas fornecem documentos mui interessantes para a historia local, e as effigies esculpidas n'ellas servem para o estudo dos trajos da época.

Figura 185: Campa pertencente ao ultimo quartel do seculo XIII

Em alguns cemiterios existem ainda fanaes formados por columnas ôcas, no cimo das quaes se accendia um farol para alumiar de noite os enterros, e tambem para fazer lembrar aos transeuntes que as pessoas enterradas precisavam das suas orações. Estas columnas tinham na base um altar, no qual se dizia a missa nas occasiões dos enterramentos. Ficavam collocados no centro dos cemiterios, nos mais importantes dos seculos XII e XIII.

ARCHITECTURA CIVIL

O arco composto de tres pontos applicado ás abobadas, ás aberturas de portas e janellas e a todos os detalhes da ornamentação, favorecia o engrandecimento de diversas construcções civis e monasticas, publicas e particulares. Os conventos tinham-se então enriquecido com os legados de numerosos fieis, e pelos lucros obtidos com o aperfeiçoamento que tinham dado á agricultura. A immunidade dos municipios veio a ser para as cidades, e para as suas industrias, uma causa de engrandecimento, que muito contribuiu egualmente para o seu progresso. O seculo XIII foi pois para a architectura civil como para a architectura religiosa, uma grande época.

Architectura monastica

Os claustros com arcadas formando galerias, sustentadas por columnasinhas de uma extraordinaria finura, com capiteis compostos de folhas, como se vê na gravura do claustro de Santa Trophina d'Aries (França), nos conventos de Santa Clara em Santarem, em Thomar[[50]] e o da Esperança em Lisboa.