Figura 209: Plano de uma igreja do sul da França sem naves lateraes

Figura 210: Dois vãos com arcadas da cathedral de Saint-Bertrand-de-Comminges

Portanto, no seculo XIV, as igrejas do meio-dia raras vezes tinham o triforium e o clerestory, que occupavam os dois terços da altura das paredes lateraes. A mesma disposição foi seguida nos seculos XV e XVI.

Contrafortes

A largura consideravel que deram no XIV seculo ás janellas do clerestorium, e a pouca resistência que as paredes com aberturas arrendilhadas apresentavam então ao encontro das abobadas, obrigou a fortificar as paredes situadas entre as janellas, empregando maior esmero no trabalho dos arcos-botantes. O contraforte servia tambem nos edificios do norte de apoio para dois arcos-botantes, sobrepostos, como se vê na cathedral de Amiens em França, na Batalha em Portugal, etc.

As torrinhas não tinham sómente por fim formar o remate do contraforte; serviam tambem pelo seu peso para consolidar ainda mais o esforço das abobadas e os outros produzidos pelos proprios arcos-botantes.

Nos paizes meridionaes, a falta das naves lateraes, como já mencionámos, ao correr da nave principal, evitou construirem-se arcos-botantes; porque os contrafortes elevavam-se verticalmente até ao cimo das paredes, apresentando muitas vezes grande saliencia. A curiosa igreja dos jacobinos de Toulouse, de que damos a vista lateral, pag. 213 [fig. 211], é um exemplo que faz vêr esta disposição habitual do emprego dos contrafortes executados no meio-dia em França. Esta igreja, construida inteiramente de tijolos, é uma das mais ousadas construcções que se conhecem.

O emprego do tijolo concorreu para se fazerem modificações nas fórmas das aberturas e n'aquellas dos ornamentos; e, n'este caso, principalmente pela influencia dos materiaes, por tal modo, que o investigador estranho ao paiz ficaria realmente muito perplexo quando lhe fosse preciso determinar uma data para indicar a época d'estas construcções, cujas ogivas são tão semelhantes durante muitos seculos.