Os cachorros de madeira que coroavam as paredes das fortificações apresentavam, como já dissemos, bastantes inconvenientes, aos quaes procuravam dar remedio. No seculo XIV as galerias salientes de cantaria com bésteiras, gravura da pag. 234 [fig. 230], substituiram pouco a pouco os cachorros nas praças fortes. As muralhas d'Avignon, e as de Cahors, reconstruidas no seculo XIV, offerecem bellos exemplos.
Figura 231: Interior de uma porta com ponte levadiça
As bésteiras não existiam antes dos seculos XIV e XV; á falta de outro typo, pela sua construcção pode-se confirmar a antiguidade das muralhas, quando ellas lhe servem de remate sem nenhuma interrupção. As portas dos recintos são constantemente defendidas por duas torres, e tendo na parte superior, como no seculo XIII, uma sala onde faziam mover a ponte levadiça. Foi no seculo XIV, que principiaram, como já referimos, a ser munidas de pontes levadiças,[[53]] movidas por contrapesos. A pequena porta destinada aos pedestres tinha ponte levadiça particular, como se vê na gravura da pag. 235 [fig. 231].
Citaremos entre os castellos mais completos do seculo XIV o de Pierrefont, que fomos vêr em 1867 quando a sua restauração era dirigida pelo eminente architecto e archeologo, o nosso confrade mr. Viollet-le-Duc.
A formidavel Bastilha de Paris, destruida em 1789, cujo fac-simile se encontra em grande numero de bibliothecas publicas, fôra começada em 1369 por ordem do rei Carlos V. Esta fortaleza compunha-se de habitações em grande altura, dispostas regularmente em roda de um pateo quadrilongo; tinha quatro torres semiesphericas nos angulos do quadrado e mais duas no centro dos dois maiores lados.
Figura 232: Vista exterior da Bastilha
Diversas janellas quadradas se abriam para o interior dos pateos, e algumas nas muralhas exteriores.
Vincennes é antes uma praça forte do que um castello propriamente dito; a forma regular do recinto, o torreão, as torres, os parapeitos, este todo offerece um bello exemplo do grande monumento militar do seculo XIV,[[54]] e sempre que se pudesse, dever-se-hia adoptar um plano symetrico, quando o terreno fosse aproprido para similhante construcção.