Figura 96: Frontão do baptisterio de Poitiers
Figura 97: Pavões e animaes symbolicos
PERIODO ROMAN SECUNDARIO
O seculo IX, de tão crueis provações, vira desapparecer grande numero de edificios pertencentes aos seculos anteriores. Estes edificios não teriam grande solidez, porque os normandos facilmente os destruiram e incendiaram, na occasião dos seus saques e vandalismos, e os que não ficaram expostos a esta barbaria apresentam já o aspecto vetusto.
Quando quizeram reparar similhantes damnos, reconstruiram o que já estava destruido, e não encontraram, como succedera no V e nos seguintes seculos, senão fustes de columnas, capiteis, esculpturas provenientes dos monumentos em ruinas dos gallo-romanos: foi preciso, no seculo X, cortar nova cantaria, extrahir outros materiaes, executar esculpturas, ainda que grosseiramente, para os ornamentos com que desejavam dar realce ás igrejas, aos palacios, e outros edificios publicos, ou particulares: portanto, nova ordem de cousas devia resultar das novas exigencias e necessidades. Viu-se, pois, no ultimo quartel do seculo X, e principalmente no XI, a architectura em via de transformação, depois caminhar gradualmente para o estado de esplendor a que attingiu no seculo XII.
As esculpturas provenientes dos monumentos romanos, ou muito bem imitados, deram certo brilho ao interior das grandes construcções dos seculos intermediarios: os mosaicos, as pinturas e estuques, occultavam a pobreza dos materiaes empregados.
No seculo XI dispensaram os ornamentos no interior das habitações, porém exigiram mais solidez e mais segurança contra os incendios; construiram mais frequentemente com pedra, pensaram em substituir com abobadas os tectos de madeira, que haviam sido até então quasi exclusivamente empregados.
Os frades architectos, e os demais artistas, em plena liberdade para innovar, construiram as igrejas e os edificios, onde havia necessidade de taes obras, combinando novos planos e disposições inteiramente desconhecidas.