PRIMEIRO PERIODO
CAPITULO II
Summario.—Descripcão das catacumbas de Roma—Principios artisticos e classificações das pinturas das catacumbas—Symbolos ou allegorias dos primitivos christãos—Representação de Jesus Christo e de Nossa Senhora—Imagens dos Santos—Monogramma de Christo—Lampadas—Sarcophagos christãos—Vasos de sangue—Monumentos christãos fóra das catacumbas—Edificios religiosos construidos nos tres primeiros seculos—Cemiterios á superficie do solo—Alfaias e instrumentos do culto.
CAPITULO III
Summario.—Estylo Latino—Estylo Bysantino—Fórmas das Basilicas—Origem da Basilica Christã—O Narthex—Orientação das Basilicas e Egrejas Christãs—Egrejas cruciformes, circulares e polygonaes—Cryptas—Baptisterios—Oratorios domesticos—Templos pagãos e edificios profanos apropriados em Egrejas Christãs—Systema e regras de construcção—Decoração monumental—Narthex, fachadas e portaes das Basilicas—Janellas e a maneira de as vedar.—Madeiramento do cume dos edificios—Torres—Pinturas representadas em mosaico—Pavimento nos edificios—Altares—Ciborium—Ambon, Tribuna para as leituras da Biblia—Poltrona para os bispos e bancos para os sacerdotes—Cemiterios—Monumentos funerarios—Sarcophagos—Tumulos subterraneos—Objectos com symbolos christãos achados nas sepulturas—Alfaias religiosas—Calices e Patenas—Custodias—Relicarios—Pombas e torres—Accessorios do altar—Corôas de metal precioso suspensas sobre o altar—Dipticos—Encadernação dos livros dos Evangelhos—Estofos religiosos—Paramentos sacerdotaes—Jesus Christo sob fórmas symbolicas—Os Apostolos S. Pedro e S. Paulo.
O ouro, a seda e as perolas, abundavam em todos estes bordados, que consistiam muitas vezes em medalhões circulares ou ovaes e que applicavam sobre tecidos preciosos, para lhes imprimir um caracter religioso.
Desde o VI seculo que a arte de bordar foi, na Europa occidental, a principal occupação das mulheres nobres, e no seculo seguinte, esta arte elevou-se a um tal gráu de prosperidade, nas Ilhas Britannicas, que durante toda a idade media não deixou de florescer.
Desde os primeiros seculos, que se ornavam com bordados de purpura, ou de qualquer outra côr brilhante, as vestes de lã branca dos padres e dos diaconos. Estes bordados foram mais tarde substituidos por brocados de seda. Serviam-se tambem dos pannos d'essa qualidade, para armação nas basilicas e nas egrejas.
Estes ricos pannos tinham ainda outro uso. Antes de serem collocadas nos ataúdes, as ossadas dos Santos eram rodeadas de pelles de camello e envolvidas em tecidos os mais ricos, de linho, seda e ouro. A maior parte dos estofos antigos que se conservaram até aos nossos dias, foram tirados de sepulturas de Santos.
Paramentos Sacerdotaes. A Egreja manteve escrupulosamente, para os ornamentos sagrados, as fórmas adoptadas pelos primeiros christãos, emquanto que a fórma e o talhe dos fatos profanos se modificaram invencivelmente.
Em geral, os paramentos sagrados dos padres e dos ministros inferiores eram brancos. O uso das côres variadas manifestou-se primeiramente nas casulas e nas capas d'asperges.
As cinco côres liturgicas de que se servem hoje, foram estabelecidas pouco mais ou menos no IX seculo, e definitivamente consagradas dois seculos depois.
Os paramentos dos padres são as casulas, a capa d'asperges, a estóla, o manipulo, o cinto, a ópa e o amicto. As principaes vestimentas, proprias para os ministros inferiores, são a dalmatica e a tunicella.
A casula primitiva era uma vestimenta sem mangas, muito ampla, envolvendo todo o corpo desde o pescoço até aos pés, e formando uma especie de barraca, casula, em torno da pessoa que a vestia. Tinha apenas uma abertura para passar a cabeça.
A estóla deve o seu nome e origem ao vestuario que os romanos chamavam estola.
A Egreja adoptou como paramento a estóla, de que se fazia uso por toda a parte, na occasião em que se estabeleceu o Christianismo.
O manipulo não se usava durante os primeiros seculos da Egreja. Foi S. Gregorio o Grande, (590-604) quem primeiro fallou, em seus escriptos, do manipulo como paramento sagrado.
A capa é um paramento commum ao padre e a alguns dos ministros inferiores. Primitivamente serviam-se da capa para se resguardarem da chuva nas procissões; é tambem por este motivo que ella se chama muitas vezes pluvial.
A alva e o cinto devem a sua origem á tunica talar dos antigos, que era um vestuario de linho, munido de mangas e apertado á roda do corpo com um cinto.
A alva era vestida nas funcções sagradas pelos bispos, padres e todos os ministros inferiores.
O amicto é uma espécie de téla de que os padres e os ministros se servem para cobrir o pescoço. A origem d'este vestuario não vae além do VIII seculo.
Durante os tres primeiros seculos, os diaconos trajavam o colobio, que era uma especie de tunica longa e estreita, ordinariamente sem mangas. Foi no principio do IV seculo, que o Papa S. Silvestre substituiu o colobio pela dalmatica.
A dalmatica era uma bluse comprida, feita de lã da Dalmacia.
Até ao VII seculo, os sub-diaconos da Egreja do Occidente não eram vestidos senão com a alva, com o cinto e com o amicto.