fabricado no reino lusitano

o que antes nos vendeu tão caro a China.»

Noutro quadro estava representado um navio da Índia descarregando caixotes com porcelanas chinesas. Outros barcos estrangeiros carregavam porcelana portuguesa, vendo-se ao longe iguais saindo a barra.

Pode-se concluir daí que naquela época (1620) a arte estava bastante adiantada, não só imitando-se a louça chinesa, mas exportando-se até os produtos portugueses.

Em apoio do que disse sobre a origem mourisca dos conhecimentos dos portugueses a respeito das artes cerâmicas, posso acrescentar que rara é a designação de qualquer vaso que não derive do árabe. Assim, albarrada, alcadefe, alcatruz, almofia, almotolia, bacio, barranha, bateia, bátega, botija, copa e copo, jarro, taça, etc. É notavel que entre estes nomes não só figuram os de vasos de uso doméstico e comum, mas ainda alguns de objetos exclusivamente de luxo, como, por exemplo: albarrada, que designa um determinado vaso de flores e jarra, pote de flores, ainda hoje muito em uso em Portugal.

Não posso deixar de mencionar a louça de Extremoz com as suas formas originais, tendo como as alcarazzas do sul de Espanha, a propriedade de darem à água bastante frescura, em consequência da evaporação do líquido transpirando pela argila porosa e não vidrada.

Tradução do Dr. Hugo Mastbaum.

Para se avaliar do interesse com que na Alemanha se busca saber quanto pode importar a qualquer ramo da atividade humana, sirva de exemplo o trabalho do professor Theodoro Rogge, que foi capaz de encontrar num jornal, essencialmente dado ao comércio e à política (Jornal do Comércio, de Lisboa), o escrito de autor obscuro e desconhecido, sobre a Bacalhôa, quase ignorada. Nunca supus que aquele meu trabalho valesse ser lido por um estrangeiro no seu país e, ainda menos, que eu merecesse as frases lisonjeiras que o ilustre professor me dirige. Não tive a honra de tratar com o Sr. Rogge, nem mesmo o gosto de o encontrar na sua viagem a Portugal, por isso mais me prendem as suas palavras de benevolente aplauso.

Ao meu amigo Dr. Hugo Mastbaum agradeço cordialmente o obséquio de me fazer conhecido pela tradução o escrito do seu ilustre compatriota.

J. R.