Na execução do extensissimo plano de melhoramentos materiaes não se nota, porém, o criterio que seria para desejar em assumpto de tal magnitude e importancia.
É assim que no aproveitamento de velhos arruamentos que ainda servem a povoação, taes como: Ouvidor, Rosario, Hospicio, S. Pedro, General Camara, Theophilo Ottoni e outros que communicam com a Avenida Central, para alargamento d’esses arruados, ou para construcção de novas avenidas, o que terá, impreterivelmente, de realisar-se em futuro mais ou menos proximo, serão sacrificados os grandiosos e artisticos edificios que, na Avenida Central, fazem esquinas com as ruas citadas.
Tal não se daria se houvesse o bom senso de não consentir em novas construcções nas proximidades d’esses arruamentos, edificações que, pela sua grandeza, quasi fazem desapparecer, á vista, a já exigua largura d’aquelles.
Outro gravissimo erro do governo federal e da municipalidade é a conservação, entre outros, dos morros do Castello e de Santo Antonio, cuja suppressão aproveitaria ás mesmas collectividades, pela acquisição de terreno edificavel; á salubridade e á hygiene publica pela circulação, mais livre, do ar e da luz, e á esthetica da cidade, que ficaria completa e aprimorada. Outros defeitos de menor importancia desapparecerão com o tempo e a boa vontade de dirigentes e dirigidos.
Especialmente notavel é a falta de um Jardim Zoologico, digno d’este nome, em um centro como Rio de Janeiro, capital de um dos mais ricos paizes do globo, em quasi todas as especies animaes. O que existe com este nome é deposito particular, vergonhoso e deprimente para o civismo de uma população das tradições da capital fluminense.
A burricada das companhias S. Christovão e Carris Urbanos, deve desapparecer, com brevidade, de um centro já abundantemente servido pela tracção electrica.
A população mista e bizarra da grande cidade carioca, sendo morigerada e primorosamente hospitaleira está, comtudo, longe de corresponder á grandeza material do Rio de Janeiro e ás proporções civicas, que os seus governantes, homens novos e progressistas, estão a imprimir-lhe. Ella ainda não se adaptou aos costumes dos grandes centros civilisados, onde cada qual trata da sua vida e do bem commum, sem importar-se, por educação e por falta de tempo, com o que faz o vizinho.
Nas cidades europeias e americanas, os moradores do mesmo predio não se conhecem, geralmente, limitando-se a cumprimentos de respeito quando, por acaso, encontram-se na escada. No Rio ainda impéra a bisbilhotice, e censuram constantemente os defeitos do proximo aquelles que não se conhecem. Muito ha ainda a fazer, a caminhar no sentido progressivo, n’este como sob outros pontos de vista.
Trata-se, todavia, de um paiz novo, insufficientemente preparado nos primôres da civilisação; mas cuja população é intelligente e dotada de energia e de civismo sufficientes para, dentro em poucos annos, ascender ao logar que lhe compete no convivio universal dos povos e das nações.
Possuidor de todos os elementos progressistas e civilisadores, de uma natureza uberrima, bellissima e fecunda, de homens eminentes pelas primorosas faculdades de espirito e qualidades moraes que formam os benemeritos da humanidade e da patria, o Brasil, que ainda recentemente impoz-se á consideração universal pelo genio de um dos seus filhos, continuará, ininterruptamente, a caminhar pela senda gloriosa dos seus destinos; e a sua capital, material e scientificamente aformoseada á altura da belleza natural que a sublima, brilhará, perante o mundo, como o vivo e deslumbrante testemunho do incommensuravel poder do genio da humanidade, fundido no cadinho immortal do trabalho, do talento, da justiça e do amôr.