Em 1572 foi uma temeridade edificar-se, no sertão, o templo de S. Francisco Xavier. O primitivo santuario da Candelaria, foi construido em 1604, e as egrejas de Santa Luzia e de N. S. da Conceição, em 1592 e 1600, respectivamente.

A actual egreja de S. Sebastião do Castello é a terceira erguida no mesmo local, desde a trasladação da cidade, não obstante a data que encima o portico ser a da fundação do primeiro santuario, inscripção conservada no mesmo logar, assim como, na capella-mór, tem sido respeitado o tumulo de Estacio de Sá, o primeiro dos fluminenses.

O primeiro corpo administrativo e municipal que teve o Rio de Janeiro, com o nome de Senado da Camara, era constituido por tres vereadores, um procurador, um escrivão, dois almotacés e o Juiz de Fóra, que presidia.

No anno da chegada de D. João VI ao Rio de Janeiro, este senado estabeleceu, por meio de marcos de pedra, os limites da cidade junto aos rios das Laranjeiras e Comprido, por um lado, e por outro junto ao mar, em toda a circumferencia.

Foi tal o desenvolvimento commercial e civico da capital, no primeiro quartel do seculo XIX, e eram tão estreitas, tortuosas e deficientes as arterias publicas existentes n’essa epocha que, em 1838, a Camara publicou uma postura ordenando que todas as vias publicas da cidade, e seu termo, tivessem, pelo menos, sessenta palmos de largura. Em 1893, a Prefeitura decretou que essa amplitude fôsse, no minimo, de 17 metros.

O primeiro nivelamento das ruas, calçamento e illuminação, foi começado em 1854, e dois annos depois a municipalidade prohibiu as aguas furtadas e mandou que todos os projectos de construcção fôssem submettidos ao seu exame e approvação.

Deve-se, porém, á Republica, em geral e, especialmente, a tres eminentes patriotas—o dr. Rodrigues Alves, presidente da Republica; dr. Lauro Müller, ministro da Viação e Obras Publicas e dr. Francisco Pereira Passos, Prefeito Municipal, a transformação do Rio de Janeiro colonial, com todos os defeitos das povoações da metropole, aggravados pelos caprichos dos mandões locaes, em uma grande cidade, moderna, rival das mais bellas capitaes do nosso planeta.

Pertence á iniciativa e execução do Governo, principalmente, a construcção do porto, com cáes acostaveis, na extensão de 3:500 metros; a magestosa e formosissima Avenida Central, de mar a mar, rasgando 16 das velhas e movimentadas ruas da cidade, e as obras especiaes de saneamento da capital, que déram em resultado a extincção da febre amarella e de outras molestias endemicas e epidemicas, de ha muito acclimadas no sólo fluminense.

A Prefeitura, ou Municipalidade, no espaço de 4 annos, de 1903 a 1906, executou e iniciou os seguintes melhoramentos:

—Avenida á Beira-Mar, do Passeio Publico á Praia Vermelha, no comprimento de 5:200 metros e com a largura de 33 metros.