Outras bombas, da força de 431 cavallos, e que estão collocadas em outra casa da margem do rio, no ponto em que termina a parte sub-fluvial do tunnel e começa a terrestre, levantam outra grande massa d’agua, que o tunnel transporta á mesma camara anterior de distribuição, aproveitando-se assim a differença de capacidade existente entre as duas secções do tunnel conductor.
Todas as bombas podem elevar a quantidade maxima de 322:617 metros cubicos de agua, em cada 24 horas. Os grandes depositos são dois, com a capacidade de 148:840 metros cubicos, cada um, e com a altura de 3,ᵐˢ46. Cada um d’estes depositos é dividido em tres secções. Quando é preciso proceder á limpeza de uma secção esvasia-se-a por meio de comportas. Estes depositos são enormes excavações, revestidas de paredes de ladrilho prensado. De egual material são as paredes que dividem as secções, e as que formam os canaes para a circulação da agua.
Sendo a agua do rio da Prata muito barrenta, não só passa por grandes filtros como é clarificada por uma substancia chamada alumino-ferrea, e que é composta de sulphatos de aluminio e de ferro, empregada na proporção, variavel, de 5 a 10 centigrammas por litro de agua, ou seja de 50 a 100 grammas por metro cubico de agua. A substancia clarificante é lançada no momento em que a agua é levantada do tunnel para a camara ou tanque geral de distribuição aos depositos. Canos de ferro conduzem a agua dos grandes depositos aos filtros, que teem uma superficie total de 48:000 metros quadrados.
São oito grandes, e um pequeno, systema Coghlan, e cada filtro está dividido em tres secções independentes, variando a superficie de cada secção de 1:556 a 2:189 metros quadrados. Os filtros estão construidos em grandes excavações, com o fundo de granito cimentado e as paredes de ladrilho prensado.
O material filtrante consta, na parte inferior, de um revestimento de pedra grossa, em troços de 15 centimetros e de 0,25 centimetros de espessura; sobreposto a este revestimento, está um outro de pedra fina, da espessura de 0,ᵐ15, em pedaços de 50 a 25 millimetros; um revestimento de areia grossa, de 0,ᵐ10 de espessura e outro de areia fina, com a espessura de 1ᵐ a 1,ᵐ20.
Os grãos de areia fina teem, na quasi totalidade, um tamanho comprehendido entre ¼ e 2 millimetros. Esta camada de areia é que filtra a agua; a pedra e a areia grossa servem-lhe de supporte. A agua filtrada cáe em pequenos depositos ladrilhados e quatro dos filtros teem, por baixo, grandes depositos de agua filtrada com a capacidade de 70:000 metros cubicos, e que servem de reservas. Estas reservas de agua filtrada vão ser elevadas a 200:000 metros cubicos. Dois tunneis perfurados a 8 metros abaixo do nivel do terreno conduzem a agua filtrada aos poços de pressão das machinas impulsoras, que occupam tres casas do estabelecimento da Recoleta, e que levantam 254:778 metros cubicos de agua em cada 24 horas.
Oito canos de pressão e de varios diametros conduzem a agua, prompta para o consumo, ao Grande Deposito Distribuidor, ou Palacio das Aguas Correntes, já descripto na secção—Monumentos—e situado entre as ruas de Cordoba, Rio Bamba, Viamonte e Ayacucho.
Os oito canos, ao chegarem ao Grande Deposito, juntam-se uns aos outros, até ficarem reduzidos a dois, que atravessam o Deposito de Norte a Sul, e ao saírem d’elle ramificam-se de novo nas rêdes dos canos geraes.
Estes canos, cujo diametro varia de 0,152 a 0,914, constituem uma rêde de grandes malhas, que alimenta os canos de distribuição pelos domicilios. Toda a canalização é de ferro fundido e está munida de valvulas para obstar a que a ruptura de um cano dê logar a inundações e á falta de agua. O comprimento da canalização geral é de 105:056 metros e de 840:929 metros o da canalização de distribuição.
Apesar d’isto, apenas 75% da actual população de Buenos-Aires é directamente abastecida de agua. Flôres já foi ultimamente ligada ao abastecimento geral; apenas o grande bairro de Belgrano continua a ser abastecido por agua dos poços, levantada e distribuida por bombas e canos de pressão a vapor. O consumo annual de agua, na metropole argentina, é de cêrca de 50 milhões de metros cubicos, gastando, na média, cada habitante, 270 litros de agua por dia.