Grupos e Estatuas
Monumento do Centenario—Na praça da Gloria, que mede 20:000 metros quadrados, e sobre um pedestal de granito, da altura de 4 metros, eleva-se o grupo, em bronze, commemorativo do 4.º centenario da descoberta do Brasil. É alto de 10 metros e consta das figuras bem lançadas de Pedro Alvares Cabral, Pero Vaz de Caminha e Fr. Henrique de Coimbra, respectivamente commandante, escrivão e capellão da frota descobridora.
O monumento é de Rodolpho Bernardelli, e foi encommendado pela Associação do Quarto Centenario do Descobrimento do Brasil. A arte casa-se aqui com a imponencia e a formosura do aspecto geral.
Fonte Ramos Pinto—Este gracioso e artistico monumento está collocado ao centro do jardim que aformoseia a Praça da Gloria. Foi offerecido á cidade do Rio de Janeiro, pelos viticultores portuenses Adriano Ramos Pinto & Irmão, e é um gigantesco blóco de marmore branco, decorado por quadros estatuas.
A execução, do esculptor Thevenet, é primorosamente artistica, especialmente a da figura feminina que, tendo um joelho poisado sobre uma anfractuosidade da rocha, mostra a parte posterior ao publico. É tão perfeito este trabalho, que provocou a regeição do prefeito Francisco Pereira Passos, com o pretexto de que excitaria os instintos libidinosos das baixas camadas populares. Com grande reluctancia, Thevenet praticou o enorme delicto artistico de cobrir a estatua com uma ligeira camisa, que não deixa de accusar-lhe o primôr das fórmas.
Estatua Equestre de D. Pedro I—A erecção d’este monumento foi approvada em sessão do Senado da Camara Municipal do Rio de Janeiro, a 11 de Maio de 1825. Esta resolução não teve seguimento, bem como outras posteriores tentativas, até que em 7 de Setembro de 1854, a Camara Municipal approvou nova proposta do seu presidente, dr. Roberto Jorge Haaddock Lobo. Para o custeio foi aberta uma subscripção publica, por intermedio das camaras municipaes de todo o paiz. Tambem foi aberto concurso entre artistas nacionaes e estrangeiros, cabendo o 1.º premio ao brasileiro João Maximiano Mafra, quanto ao projecto e desenho, sendo a execução confiada ao esculptor francez Luiz Rochet, o 3.º concorrente premiado. A pedra fundamental do monumento foi collocada em 1 de Janeiro de 1862, realisando-se a inauguração em 30 de Março do mesmo anno. A estatua, que custou 334:710$375 réis, occupa o centro da praça da Constituição. A base é de granito, seguindo-se-lhe o pedestal, em bronze, ornamentado a grupos que representam os grandes rios do Brazil—Amasonas, Paraná, Madeira e S. Francisco, symbolisados por indigenas, cuja expressão é eminentemente artistica.
O friso do pedestal é guarnecido por escudos, que representam as vinte provincias brasileiras. D. Pedro I está a cavallo e em grande uniforme de general. Na mão direita, o imperador empunha a Carta Constitucional do Brasil.
O peso total do monumento é de 55:000 kilos. A sua altura é de 3,ᵐ30 na base, 6,ᵐ40 no pedestal e 6 metros da estatua equestre.