O interior do templo é ornamentado a trabalho de talha e a estuque dourado, em estylo barroco, por mestre Ignacio, que iniciou os trabalhos em 1785. Ha sete altares e duas capellas fundas; uns e outras separados por balaustres dourados. No corpo da egreja ha tres tribunas de cada lado, divididas por pilares. É bella a perspectiva interior pela feliz combinação dos dourados com a guarnição branca, em estuque, e com o primoroso trabalho de talha. A fachada não pertence a ordem alguma architectonica. O grande painel da capella-mór foi pintado por José Leandro de Carvalho.
Carmo—Bella e imponente frontaria de granito, em estylo barroco, com um lindissimo portico lavrado em marmore da Arrabida.
A confraria dos irmãos terceiros do Carmo, do Rio de Janeiro, foi fundada em 19 de Julho de 1648. A primeira pedra do templo foi lançada em 16 de Julho de 1755, sendo inaugurado em 11 de Julho de 1770. Custou 91:088$995 réis. As duas formosas torres lateraes á frontaria, só ficaram concluidas em 1850 e custaram 111:000$000 réis. Um espaço fechado por dois portões separa esta egreja da Cathedral, ex-capella imperial. O gradil de ferro que cercava o adro e que custára, em Londres, 1:764$100 réis, foi mandado retirar, ultimamente, pelo prefeito Pereira Passos, bem como o do santuario contiguo. Foi no Carmo que se celebrou, em 1792, o Te-Deum em acção de graças pelo enforcamento de Tiradentes. O templo foi novamente dourado em 1854. Até 1812 esteve installado o hospital da Ordem, em edificio annexo, sendo removido para a rua de Riachuelo, em 1870.
O interior da egreja é ornamentado a branco, com toques dourados.
Ha seis altares lateraes e a capella-mór. No corpo principal estão seis tribunas e dois pulpitos. A luz é filtrada, além do zimborio da capella-mór, por seis janellas sobrepostas ás tribunas e por tres do côro, com vitraes coloridos.
Cruz dos Militares—Occupava, outr’ora, a beira-mar. Está situada na rua Primeiro de Março, esquina da do Ouvidor, e a pequena distancia dos santuarios anteriormente descriptos. É obra dos ultimos annos do seculo XVIII, sendo seu constructor o brigadeiro José Custodio de Sá e Faria. Se bem que de elegante aspecto exterior, nada contém esta egreja de especialmente notavel.
S. Bento—Templo e mosteiro situados no vértice da collina de egual nome, no extremo da rua Primeiro de Março. É simples e sem arte o aspecto exterior da egreja e dos edificios annexos; ao transpôr, todavia, o peristylo, o visitante fica deslumbrado com a perspectiva e os detalhes da magestosa fabrica. Desde o sopé ás abobadas, o santuario resplandece o velho ouro que os seculos ainda não conseguiram desvanecer. Em talha dourada, é a d’esta egreja a maior, a mais antiga e a mais preciosa decoração que existe na capital do Brasil. É d’uma só nave, ladeada por dez altares, oito dos quaes communicam-se, interiormente, por duas especies de naves. Os dois pulpitos são tambem preciosos. Sobre os arcos que dão ingresso aos altares, ha outras tantas tribunas douradas, com balaustradas. O tecto é em quadriculos de madeira colorida.
No pavimento do corpo principal estão as sepulturas dos doadores, D. Diogo de Brito de Lacerda, e D. Victoria de Sá, com brazões heraldicos.
São riquissimas as capellas do Santissimo Sacramento e da Immaculada Conceição. A primeira tem quatro tribunas e um magnifico altar, com esplendoroso sacrario e quatro columnas salomonicas, tudo dourado. Todos os altares do monumento são guarnecidos a columnas do mesmo estylo e profusamente douradas.
Na capella-mór ha bancadas de nogueira para a assistencia capitular. Á esquerda está o solio, com o docel, para o abbade-bispo de S. Bento.