O bonde electrico começou a deslisar e os nossos olhos não sabiam o que mais admirar, se os primôres irradiantes da paisagem, se as curiosidades que nos cercavam, quasi originaes para nós, empolgantes e interessantissimas.

O vehiculo parou defronte da matriz de S. João Baptista, e foi invadido por numeroso grupo de crianças e senhoras, que empunhavam floridos ramalhetes, de varios tamanhos, vélas de cêra enfeitadas a papeis de côres e cannas servindo de hastes a ramos de flôres.

—O que é isto? inquirimos.

—Domingo de Ramos, foi a resposta.

Continuamos a observar as devotas. Nada póde haver de mais bizarro e extravagante.

A variedade de colorido cançaria a paciencia ao mais habil classificador de nuances.

Desde o negro retinto e do preto suavisado pelo cruzamento do sangue, até ao vermelho aloirado das filhas de Albion e da Germania, tudo alli se via em mistura de encantos, a contrastar cora as côres berrantes dos vestuarios e com os deslumbramentos da paisagem, ridente de primôres e abrasada de sol.

A manhã brilhava na suavidade e frescura do arvoredo, no dorso azulado das montanhas, ao longe acariciadas e envoltas por nuvens que hauriam-lhes as humidas e fecundantes exuberancias.

E o electrico continuava sempre a correr entre a apotheose da natureza e os vividos quadros realçados pelas cariocas que empunhavam os ramos commemorativos da entrada triumphal de Christo na cidade deicida.

O bonde parára á porta de outra egreja. Era a matriz da Gavea. Grande e garrula renovação, de passageiras.