—Bem, D. Clementina, muito bem.—

—Podera não; elle ha lá melhor vidinha!—suspirava—e depois quando se tem um marido novo, elegante...

—Oh, D. Clementina, eu passo a ter ciumes...{124}

—Ai, filha, não, isso não...—riram ambas, um cascalhar timbrado, a brancura dos dentes a desfiar pelo carmezim dos labios.

—E muito linda, muito linda!...

O Alberto interveiu, uma graça de galanteria...

—Não m'a encha de vaidade; Vocencia deve saber por experiencia propria, que a formosura das mulheres é o inferno dos homens...—

—Ora, nem diga isso! é o paraizo, o paraizo d'elles! Os senhores são uns mal agradecidos.—

Mirava-lhe o chapeu, o vestido; calculava o preço da fazenda, das guarnições, da pluma, das flores.

—Um dinheirão—pensava—isto assim hão-de dal-as frescas—e regosijava-se já d'um mal futuro, elogiando-se as proprias qualidades economicas, n'uma ferocidade ciumenta de solteirona.