Deram o braço, cadenceando o passo no rythmo da musica, cumprimentando pessoas conhecidas, umas cortezias elegantes, de affectação estudada.
A orchestra batia valentemente a grande marcha da Aida; a voz perdia-se na sonoridade dos instrumentos.
Caminhavam juntos, uma vaidade de se verem moços e admirados, Ermelinda arrojando aos olhos das outras, que passeavam, a sua toilette{132} formosa, o seu chapeu modelo de finissimas flores; e elle a luva correctamente calçada, a guia do bigode n'uma curva de artista, atirando ao publico com a formosura da sua Lili; toda elegante com o seu vestido de traine de velludo, invejada, seguida pelo olhar cubiçoso dos dandys que o cumprimentavam, dos estudantes que ao vel-a passar prorompiam n'um cortejo de gulosas interjeições admiraveis.
Iam e vinham na grande alea povoada, encarando sempre em frente com a massa granitica do hospital da Misericordia, d'uma architectura pesada e d'um sumptuoso imponente, o trem esperando-os á porta do jardim.
—Estava já cansada—dizia—a bota do pé esquerdo apertava-a um pouco.—
O jardim despovoava-se; a musica cessara; tres horas nos Clerigos lembrando as necessidades physiologicas do estomago.
Chegaram a casa moidos, um pouco fatigados. A toilette incommodava-os, um desejo violento de se despirem, de se pôrem á larga.
E Ermelinda depoz o vestido sobre a cama, o chapeu n'uma cadeira, despenteou-se, os cabellos cahindo n'um desleixo emmaranhado, o corpo mettido n'um penteador um pouco surrado, os pés n'uns sapatinhos commodos.
—Estava á sua vontade, emfim—e subiu á sala de jantar, um grande appetite, palradeira, comendo gulosamente azeitonas antes de principiar o jantar.
O Jorge interveio: