—Fia-te na virgem e não andes! Isto assim não tem geito, e olha, se queres que te diga, se tivesse tanto de santo como tenho de arrependido...
—Mas agora que se lhe ha-de fazer, papá; em verdade tambem, está mesmo um usurario, quer que a gente morra de tédio em casa!—
E convencia-o, subjugava-o com razões futeis, ditas graciosamente, a promessa d'um beijo e perguntando-lhe a sorrir com uma candura de ingenua—
—Se tambem havia de ser assim mau para o seu netinho.—
Este ultimo argumento quebrava-lhe todas as energias, cedia logo
—que remedio! não havia de contrarial-a n'aquelle estado, podia prejudicar a sua saude; não, coitadinha, ella não tinha culpa; mas depois havia de pôr cobro a isto, oh! se havia—
—mas a elle mesmo—considerava—não convinha cortar radicalmente por todo aquelle superfluo de exteriorisações; que diriam os outros, os seus collegas, a praça, o commercio que o julgava com boas garantias de capital... não, não se podia{145} fazer a cousa assim de vez, era preciso ir de vagar.—
e traçava combinações, adoptava um plano, um bom plano que o livrasse d'aquelles apertos sérios—tinha em vista uma grande especulação de fundos, a cousa era certa, o capital do Banco figuraria e se houvesse algum revez, soffresse quem soffresse.—
Estas ideias chamavam-o á realidade das suas occupações; fôra distribuido o relatorio, propunha-se um bom dividendo, mas
—francamente a coisa não estava muito sólida,—já até se rosnava um pouco, mas emfim os accionistas pertenciam áquella das bem-aventuranças, que premeia com o reino do ceu,—o que elles queriam era bons dividendos, e esses davam-se, a cousa havia de caminhar; a questão era resolver aquelles embaraços da crise e depois ficava mais desaffogado.—