Onze horas da noite, a Annita recostada n'um sophá, o Alberto com a cabeça poisada nos seus{210} joelhos, o fumo d'um charuto a espreguiçar-se voluptuosamente, como um thuribulo que a perfumasse, sentiu a criada bater uma pancadinha na porta do gabinete.
—Que é?—perguntou contrariada.
—uma carta com toda a urgencia.
Levantou-se, o Alberto ficou a vel-a caminhar, um movimento gracil na linha dos quadris, os braços nús sahindo provocadoramente das mangas rendilhadas da camisa.—
—Então cartinhas a esta hora e urgentes, ah!... trahe o seu Albertinho, ora deixe estar.—
—Oh, filho, não me bacoreja coisa boa.
Annita abriu a porta; viu-se a criada a estender uma carta, e fechou logo, um saltinho de travesti indo poisar n'uma banqueta que estava aos pés do Alberto.
—Lê tu, filho.—
O Alberto tomou a carta.
—Eu conheço esta lettra com toda a certesa... vejamos a assignatura, ah, é de S. Ex.ª o commendador—disse ironicamente,