Chegara o mez de junho; os jornaes vinham cheios de noticias relativas á commemoração do poeta. A companhia dos Caminhos de Ferro estabelecera comboyos a preços reduzidos para Lisboa. Um formigueiro de povo esfervilhava em Santa Apolonia; os trens de praça alinhavam-se, convidando os viajantes. Illuminações no Tejo e no largo da Estação davam á cidade o aspecto d'uma creação feerica.

—Como era lindo, como era lindo!—dizia uma mulher que sahia da Estação pelo braço d'um sujeito baixo, todo envolvido no seu guarda-pó,{240} um bonnet de seda a descer sobre os aros d'ouro d'uns oculos escuros.

Chamaram um trem.

—Nos leva ao hotel Borges, ein, você sabe?—

Mas quando o cocheiro fechava a porta, um balão veneziano, ardendo, projectou um raio de claridade sobre o seu rosto.

Ermelinda escondeu-se na almofada, soltando um pequeno grito; tinha reconhecido o Alberto.—

—Boa gorgeta, ein,—dizia ainda o commendador com o corpo inclinado para fóra da janella.—

FIM