—Prompta.
—Já não era sem tempo! isto de mulheres!—
No portal Ermelinda fazia o apanhado, que rangia n'um frou-frou de fazenda nova; emquanto a Joaquina de cima espreitava para os ver sahir, elles combinavam o passeio, consultavam-se sobre o caminho a seguir.
—Que era melhor ir primeiro á missa—dizia Ermelinda—e depois voltariam pelo jardim, ou iriam ao Palacio.
—Seria como ella dizia—concordava o Jorge.
E os dous, na plenitude vaidosa do luxo de Domingo, tomando apenas os passeios da rua, reverenciando as pessoas conhecidas, com um ar todo festival, de superioridade engrandecida, e de roupa lustrosa, seguiam para a Trindade, para a missa das onze. Homens á porta accumulavam-se vedando o caminho, e em frente, no atrio da Assembleia os dandys do Porto, fallando de cavallos e de jogo, ou contando anedoctas indecentes, estalavam grandes risadas que os faziam contorcer em posições ridiculas, funambulescas, dobrando-se,{52} dando palmadinhas sobre as coxas.
O Alberto estava entre elles, e ao ver passar Ermelinda, toda comprimida no seu vestido, o seu bello olhar profundamente negro, a epiderme morena um pouco empallidecida, exhalando frescura, sentiu um desejo mordente de entrevistas nocturnas, de têtes-à-têtes amorosos, chegados um do outro, a cintura enlaçada, as respirações confundindo-se.
E quando o Jorge passou, cortejando palacianamente os seus amigos, elle notou que Ermelinda, ao havel-o reconhecido, voltara o rosto desdenhosamente, sem que denotasse no olhar sequer uma interrogação, uma queixa, um desespero.
Os outros, que sabiam do namoro, perguntaram curiosamente:
—O que tinha havido, se as relações estavam cortadas?—e ao verem que o Alberto balbuciava, riram estrondosamente, beliscando-lhe o amor proprio.