—que era uma tolice—pensava—já não era creança e a Ermelinda era uma rapariga nova... o pae havia de querer dinheiro... o banco não estava muito seguro, elle sabia d'umas transações pouco felizes—e não faltavam mulheres—concluia alto.

Affrouxava-lhe a genese do novo ideal perante o conhecimento prático da vida

—ora, que se não ralaria.—

E sahindo do quarto encaminhou-se para a sala de jantar, onde o esperava a costelleta que elle humedeceu com suas pimentinhas, o escaldado de farinha de Serohy, os ovos quentes, e simultaneamente a conversação dos companheiros, muito animada, recordando os affanosos dias do Rio de Janeiro, as distracções das Xacaras de Bota-fogo, das Larangeiras.

A conversação estabelecia-se, de companheiro{62} a companheiro. Reminiscencias se avivavam, cortando-se mutuamente, como bolhas de champagne, que effervescem n'uma confusão tumultuaria. O Lourenço Pereira á direita do commendador, tinha acabado de almoçar, recostava-se, accendendo um charuto, reclamando o dessert do cavaco.

Fallou-se nas companhias de Bonds, que faziam percurso para o Bota-fogo.

—E a proposito, se recorda você, commendador, a partida que aconteceu lá ao Mendes, com aquella Francezita da rua do Ouvidor?—

—Pintou a manta aquelle estroina!

—Mas que o Juca Silveira não lhe ficava a dever nada, ein!—

—O Juca, é verdade!... e onde está elle agora, sabe você, Lourenço?