—Por sôbre o que Eu não sou ha grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes—
Um outro que eu não posso acorrentar…
Barcelona—Setembro de 1914
*A INEGUALAVEL*
Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de setim…
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem joias pretas…
E tão febril e delicada
Que não podesses dar um passo—
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de côr no regaço…
Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas—
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas…
Ah! que as tuas nostalgias fôssem guisos de prata—
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata…
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim—
Os teus espasmos, de sêda…
—Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor por mim…