A photographia de geração, raça ou meio, com o seu mundo immediato de exhibição a que frequentemente se chama literatura e é sumo do que para ahi se intitula revista, com a variedade a inferiorisar pela egualdade de assumptos (artigo, secção ou momentos) qualquer tentativa de arte—deixa de existir no texto preocupado de_ ORPHEU_.

Isto explica nossa ansiedade e nossa essencia!

Esta linha de que se quer acercar em_ Beleza_, ORPHEU, necessita de vida e palpitação, e não é justo que se esterilise individual e isoladamente cada um que a sonhar nestas cousas de pensamento, lhes der orgulho, temperamento e esplendor—mas pelo contrario se unam em selecção e a dêem aos outros que, da mesma especie, como raros e interiores que são, esperam ansiosos e sonham nalguma cousa que lhes falta,—do que resulta uma procura esthética de permutas: os que nos procuram e os que nós esperamos…

Bem representativos da sua estructura, os que a formam em_ ORPHEU_, concorrerão a dentro do mesmo nivel de competencias para o mesmo rithmo, em elevação, unidade e discreção, de onde dependerá a harmonia esthética que será o typo da sua especialidade.

E assim, esperançados seremos em ir a direito de alguns desejos de bom gosto e refinados propositos em arte que isoladamente vivem para ahi, certos que assignalamos como os primeiros que somos em nosso meio, alguma cousa de louvavel e tentamos por esta forma, já revelar um signal de vida, esperando dos que formam o publico leitor de selecção, os esforços do seu contentamento e carinho para com a realisação da obra literaria de_ ORPHEU_._

LUIS DE MONTALVÔR.

*PARA OS "INDICIOS DE OIRO"*

POEMAS DE
MARIO DE SÁ-CARNEIRO

*TACITURNO*