Mãe!
Estou a lembrar-me!
E as tardes quando iamos todos juntos soltar palavras no caes e vêr chegar mais laranjas!
Outras vezes juntavamo-nos na praia para nadar melhor do que os outros e deixar o sol queimar quem mais merecêsse. Já as laranjas estavam contentes com o que chegasse primeiro! O melhor jovem ganhava a melhor rapariga. Os outros sabiam aquella que tinham ganhado. Eu tinha ganho a minha!
De uma vez, quando deixavamos o caes, entornou-se o cêsto das tangerinas. Foi a alegria! E uma das raparigas pôz-se a cantar o succedido ás tangerinas a rolar pró mar:
tam
tam-tam
tanque
estanque
tangerina bola
tangerina boia
tangerina ina
tangerininha
pacote rôto
batuque nú
quintal da nóra
e o dique
e o Duque
e o acqueducto
do Cúco
Rei Carmim
e tamarindos
e amarellos
de Mahomet
alli
e lá
e acolá
…
* * * * *
Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar historias ricas que ainda não viageie. Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta côr de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!