+CONFIDENCIAS+

Mãe! doe-me o peito. Bati com o peito contra a estatua que tem em cima o verbo ganhar. Ainda não sei como foi. Eu ia tão contente! eu ia a pensar em ti e no verbo saber e no verbo ganhar. Estava tudo a ser tão facil! Já estava a imaginar a tua alegria quando eu voltásse a casa com o verbo saber e o verbo ganhar, um em cada mão!

Doe-me muito o peito, Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!

Mãe!

Já não volto á cidade sem ir comtigo! para a cidade ser bonita. Irmos os dois juntos de braço-dado, e andarmos assim a passear; para ver como tudo està pôsto na cidade por causa de ti e de mim e por causa dos outros que andam de braço-dado.

Mãe! dize essa metade que tu sabes do que é necessario saber, dize essa metade que tu sabes tão bem! para eu pensar na outra metade.

Se não houvésse senão homens e saltimbancos eu ia buscar a outra metade, mas os saltimbancos estão vestidos como os homens, e os homens estão vestidos como os saltimbancos, ambos estão vestidos de uma só maneira, não sei quaes são os homens nem os saltimbancos, elles tambem não o sabem,—não ha senão losangos de arlequim!

Mãe!

Quando eu vinha para casa a multidão ia na outra direcção. Tive de me fazer ainda mais pequeno e escorregadío, para não ir na onda.

Perguntei para onde iam tão unidos, assim, com tanto balanço.
Responderam-me: Para deante! para a frente!