A virgem ficou immovel.
—Vae e torna com o vinho de Tupan.
Quando Iracema foi de volta, já o Pagé não estava na cabana; tirou do seio o vaso que alli trazia occulto sob a carioba de algodão entretecida de pennas. Martim lh'o arrebatou das mãos, e libou as gottas poucas do verde e amargo licor. Não tardou que a rede recebesse seu corpo desfallecido.
Agora podia viver com Iracema, e colher nos seus labios o beijo, que alli viçava entre sorrisos, como o fructo na corolla da flor. Podia amal-a, e sugar d'esse amor o mel e o perfume, sem deixar veneno no seio da virgem.
O goso era vida, pois o sentia mais vivo e intenso; o mal era sonho e illusão, que da virgem elle não possuia mais que a imagem.
Iracema se affastara oppressa e suspirosa.
Abriram-se os braços do guerreiro e seus labios; o nome da virgem resoou docemente.
A juruty, que divaga pela floresta, ouve o terno arrulho do companheiro; bate as azas e vôa a conchegar-se ao tepido ninho. Assim a virgem do sertão, aninhou-se nos braços do guerreiro.
Quando veiu a manhã, ainda achou Iracema ali debruçada, qual borboleta que dormiu no seio do formoso cacto. Em seu lindo semblante accendia o pejo vivos rubores; e como entre os arrebões da manhã scintilla o primeiro raio do sol, em suas faces incendidas rutilava o primeiro sorriso da esposa, aurora de fruido amor.
Martim vendo a virgem unida ao seu coração, cuidou que o sonho continuava; cerrou os olhos para tornal-os a abrir.