Depois o chefe assim falou:
—Ainda Jacaúna não era um guerreiro, Jatobá, o maior chefe, conduzia os Pytiguaras á victoria. Logo que as grandes aguas correram, elle caminhou para a serra. Aqui chegando, mandou levantar a taba, para estar perto do inimigo e vencêl-o mais vezes. A mesma lua que o vio chegar, alumiou a rêde onde Sahy sua esposa, lhe deu mais um guerreiro de seu sangue. O luar passava por entre as folhas do jatobá; e o sorriso pelos labios do varão possante, que tomara seu nome e robustez.
Iracema aproximou-se.
A rôla, que marisca na areia, se o companheiro se afasta, adeja inquieta de ramo em ramo e arrulla para que lhe responda o ausente amigo. Assim a filha da floresta errara pela encosta, modulando o singelo canto mavioso.
Martim a recebeu com a alma no semblante; e levando a esposa do lado do coração e o amigo do lado da força, voltou ao rancho dos pytiguaras.
[XX]
A lua cresceu.
Tres sóes havia que Martim e Iracema estavam nas terras dos Pytiguaras, senhores das margens do Camocim e Acaraú. Os extrangeiros tinham sua rêde na vasta cabana do grande Jacaúna. O valente chefe guardou para si a alegria de hospedar o guerreiro branco.
Poty abandonou sua taba, para acompanhar seu irmão de guerra na cabana de seu irmão de sangue, e gosar dos instantes que sobejavam do amor de Iracema para a amisade, no coração do guerreiro do mar.
A sombra já se retirou da face da terra: e Martim vio que ella não se retirara ainda da face da esposa, desde o dia do combate.