Os viajantes estiveram em Mocoribe tres sóes. Depois Martim levou seus passos além. A esposa e o amigo o seguiram até á embocadura de um rio cujas margens eram alagadas e cobertas de mangue. O mar entrando por elle formava uma bacia de agua christalina, que parecia cavada na pedra como um camocim.
O guerreiro christão. ao percorrer essa paragem, começou de scismar. Até alli elle caminhava sem destino, movendo seus passos ao acaso; não tinha outra intenção mais que affastar-se das tabas dos Pytiguaras para arrancar a tristeza do coração de Iracema. O christão sabia por experiencia que a viagem acalenta a saudade, porque a alma pára emquanto o corpo se move. Agora sentado na praia pensava.
Poty veiu:
—O guerreiro branco pensa; o seio do irmão está aberto para receber seu pensamento.
—Teu irmão pensa que este lugar é melhor do que as margens do Jaguaribe para a taba dos guerreiros de sua raça. N'estas aguas as grandes igaras que vem de longes terras se esconderiam do vento e do mar; d'aqui ellas iriam ao Mearim destruir os brancos tapuias alliados dos Tabajaras, inimigos de tua nação.
O chefe pytiguara meditou e respondeu:
—Vae buscar teus guerreiros. Poty plantará sua taba junto da mayr de seu irmão.
Aproximava-se Iracema. O christão mandou com um gesto o silencio ao chefe Pytiguara.
—A voz do esposo se calla, e seus olhos se abaixam quando chega Iracema. Queres tu que ella se affaste?
—Quer teu esposo, que chegues mais perto, para que sua voz e seus olhos penetrem mais dentro de tua alma.