J. de Alencar.

[IRACEMA]

[I]

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba:

Verdes mares que brilhaes como liquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros:

Serenae verdes mares, e alisae docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvalle á flôr das aguas.

Onde vae a affouta jangada, que deixa rapida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela?

Onde vae como branca alcyone buscando o rochedo patrio nas solidÕes do oceano?

Tres entes respiram sobre o fragil lenho que vae singrando veloce, mar em fora:

Um joven guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano: uma creança e um rafeiro que viram a luz no berço das florestas, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem.