—Que quereis? A morte de uns é necessaria para a vida dos outros; este mundo é assim: não seremos nós que o havemos de emendar; andemos com elle.
—Nunca! Não faremos isto! É uma vilania!
—Bom, respondeu Loredano friamente, fazei o que vos aprouver. Ficai; quando vos arrependerdes será tarde.
—Mas, ouvi...
—Não; não conteis já comigo. Julgei que fallava a homens a quem valesse salvar a vida; vejo que me enganei. Adeus.
—Se não fôra uma traição...
—Que fallais em traição!... replicou o italiano com arrogancia. Dizei-me, credes vós que algum escapará d'aqui na posição em que nos achamos? Morreremos todos. Pois se assim é, mais vale que se salvem alguns.
Os aventureiros parecêrão abalados por este argumento.
—Elles mesmos, continuou Loredano, a menos de serem egoistas, não terão o direito de se queixarem; e morrerão com a satisfação de que sua morte foi util aos seus companheiros, e não esteril como deve ser se ficarmos todos de braços cruzados.
—Vá feito; tendes razões a que não se resiste. Contai comnosco, acudio um aventureiro.