—Para que mais demora? respondeu Vasco Affonso.

—Prometto-vos que não haverá demora; hoje mesmo será condemnado; amanhã receberá o castigo de seus crimes.

E porque não hoje?

—Deixemos-lhe o tempo de arrepender-se; é preciso que antes de morrer sinta remorso do que praticou.

Os aventureiros decidirão por fim seguir esse conselho, e esperárão que Loredano apparecesse para se apoderarem delle, e o condemnarem summariamente.

Passou-se um bom espaço de tempo, e nada do italiano sahir; era quasi meio-dia.

Os aventureiros estavão desesperados de sêde; a sua provisão de agua e de vinho, já bastante diminuida depois do sitio dos selvagens, achava-se na despensa, cuja porta Loredano fechara por dentro.

Felizmente descobrirão no quarto do italiano algumas garrafas de vinho, que bebêrão no meio de risadas e chacotas, fazendo brindes ao frade que ião dentro em pouco condemnar á pena de morte.

No meio da hilaridade algumas palavras revelavão o arrependimento que começava a se apoderar delles; fallavão de ir pedir perdão ao fidalgo, de se reunir de novo a elle, e ajuda-lo a bater o inimigo.

Se não fosse a vergonha da má acção que tinhão praticado, correrião a lançar-se ao joelhos de D. Antonio de Mariz immediatamente; mas resolvêrão fazê-lo quando o principal autor da revolta tivesse recebido o castigo do seu crime.