—Não; respondeu D. Antonio; levai-os todos, já que se prestão a essa tão nobre acção, que não me animava a exigir de sua coragem. Para defender a minha filha, basto eu, apezar de velho.

—Desculpai-me, Sr. D. Antonio, replicou Alvaro; mas é uma imprudencia a que me opponho; pensai que a dous passos de vós existem homens perdidos, que nada respeitão, e que espião o momento de fazer-vos mal.

—Sabeis se prezo e estimo esse thesouro cuja guarda me foi confiada por Deus. Julgais que haja neste mundo alguma cousa que me faça expo-lo a um novo perigo? Acreditai-me: D. Antonio de Mariz, só, defenderá sua familia, emquanto vós salvareis um bom e nobre amigo.

—Confiais demasiado em vossas forças!...

—Confio em Deus, e no poder que elle collocou em minha mão: poder terrivel, quando chegar o momento fulminará todos os nossos inimigos com a rapidez do raio.

A voz do velho fidalgo pronunciando estas palavras tinha-se revestido de uma solemnidade imponente; o seu rosto illuminou-se com uma expressão de heroismo e de magestade que realçou a belleza severa do seu busto veneravel.

Alvaro olhou com uma admiração respeitosa o velho cavalheiro emquanto Cecilia, pallida e palpitante das emoções que sentira, esperava com anciedade a decisão que ião tomar.

O moço não insistio e sujeitou-se á vontade de D. Antonio de Mariz;

—Obedeço-vos; iremos todos e voltaremos mais promptos.

O fidalgo apertou-lhe a mão: