O que elle procurava era um meio de, sem estrepito, sem luta, imprevistamente, fazer morrer D. Antonio de Mariz, Pery, Alvaro, e Ayres Gomes; feito isto os outros se reunirião a elle pela necessidade da defeza, e pelo instincto da conservação.

Tornar-se-hia então senhor da casa; ou repellia os indios, salvava Cecilia, se realisava todos os seus sonhos de amor e de felicidade; ou morria tendo ao menos esgotado até ao meio a taça do prazer que seus labios nem sequer havião tocado.

Era impossivel que esse espirito satanico, fixando-se em uma idéa durante tres dias, não tivesse conseguido achar um meio para a consummação desse novo crime que planejara.

Não só o tinha achado, mas já havia começado a pô-lo em pratica; tudo o protegia, até mesmo o inimigo que o deixava em repouso, atacando unicamente o lado da casa protegido por D. Antonio de Mariz.

Passeava pois embalando-se de novo nas suas esperanças, quando Martim Vaz, sahindo do alpendre, chegou-se a elle.

—Uma com que não contávamos!... disse o aventureiro.

—O que? perguntou o italiano com vivacidade.

—Uma porta fechada.

—Abre-se!

—Não com essa facilidade.