Alvaro, recostado da parte de fora a uma das janellas da casa, pensava em Isabel.

Sua alma lutava ainda, mas já sem força, contra o amor ardente e profundo que o dominava; procurava illudir-se, mas a sua razão não o permittia.

Conhecia que amava Isabel, e que a amava como nunca tinha amado Cecilia; a affeição calma e serena de outr'ora fôra substituida pela paixão abrasadora.

Seu nobre coração revoltava-se contra essa verdade; mas a vontade era impotente contra o amor; não podia mais arranca-lo do seu seio; não o desejava mesmo.

Alvaro soffria; o que dissera na vespera a Isabel era realmente o que sentia; não se exagerára; no dia em que deixasse de amar Cecilia e fosse infiel á promessa feita a D. Antonio, se condemnaria como um homem sem honra e sem lealdade.

Consolava-o a idéa de que a situação em que se achavão não podia durar muito; pouco tardava que exhaustos, enfraquecidos, succumbissem á força dos inimigos que os atacavão.

Então nos momentos extremos, á bordado tumulo, quando a morte o tivesse já desligado da terra, poderia com o ultimo suspiro balbuciar a primeira palavra do seu amor! poderia confessar a Isabel que a amava.

Até então lutaria.

Nisto Pery chegou-se e tocou-lhe no hombro:

—Pery parte.